Junto com a ONG Instituto Vida Livre, constantemente o Ibama resgata animais apreendidos por integrantes do comércio ilegal de aves. Recentemente foram soltas 29 araras-canindé e tucanos que haviam sido resgatados pela polícia de Nova Iguaçu de traficantes do Rio de Janeiro.

Nesse resgate estava Lara, uma arara-canindé que ainda era um “bebê” quando foi recuperada. Com pouco tempo de um vida sempre aprisionada, assim como os outras aves, Lara precisou de oito meses para “aprender a ser arara”. Por serem muito numerosas, ou seja, facilmente encontradas, acabam sendo vendidas no país inteiro com animais de criação, tendo como destino as casas de famílias, feiras ou, pior, o abandono. De acordo com Roched Seba, diretor da ONG Instituto Vida Livre, “É um processo quase traumático, voltar à liberdade. É como uma pessoa que está presa há muito tempo e precisa descobrir o que fazer sozinha”.

Depois de resgatada com os outros pássaros, Lara foi tratada na unidade de triagem do Ibama em Seropédica, RJ. Segundo a veterinária Taciana Sherlock, “Lara chegou bem magrinha e desidratada, mas, como era filhote, a reabilitação foi até mais fácil. “O processo pode durar mais de seis meses, a depender do tempo que o animal ficou em cativeiro. Alguns não conseguem mais se reconhecer como araras, de tão domesticados que são. Precisamos isolá-los do contato com humanos.”

Antes de serem levados para um viveiro onde são estimuladas a voar, com o objetivo de fortalecerem as asas e, claro, aprenderem movimentos de uma vida fora da gaiola, as aves são submetidas a exames de sangue, coleta de parasitas, avaliação de estrutura muscular, integridade das penas e capacidade de vôo. Mesmo com todos esses cuidados, “algumas nunca terão condições de voltar para a natureza porque são muito idosas, muito mansas ou têm mutilações nas asas”, afirma Seba.

Após uma “ aventura” de quinze horas que incluiu um viagem de avião até uma fazenda em Goiás, Lara e suas companheiras foram soltas em um novo viveiro, no qual permaneceram por cinco dias para nova adaptação até serem definitivamente liberadas na natureza. Com a porta do viveiro aberta, Lara foi uma das primeiras a experimentar uma volta no novo lar. Até que se acostumem com a liberdade, o viveiro permanecerá aberto para que as aves possam voltar para dormir, se assim desejarem.

Fonte: Terra

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